O que aconteceria se todos doássemos 1% do nosso salário?

O esporte pode ajudar a mudar o mundo. Uma obviedade que se vê no fato de que toda atividade esportiva melhora tanto física quanto psicologicamente seus praticantes, mas também terceiros, se souber ser direcionada da forma correta. É isso que diferentes projetos buscam promover, como o que a Common Goal realiza por meio das doações de 1% dos salários de jogadores de futebol profissionais.

Quanto você estaria disposto a dar do seu salário para ajudar crianças em situação de risco? E para proteger a fauna e a flora do planeta? E para melhorar os sistemas de saúde do terceiro mundo? E se isso custasse a você menos que uma cerveja ou um refrigerante, você pensaria melhor? Se essa quantia fosse multiplicada por milhões, poderia ser uma ajuda enorme. “Uma palha não faz o celeiro, mas ajuda o companheiro”, como diria o ditado.

É isso que o jogador de futebol espanhol Juan Mata busca induzir por meio da organização Common Goal… mas aplicado a salários milionários. O que para uma pessoa comum pode significar entre 1 e 2 euros, na proporção de um atleta profissional sobe para algo parecido com 10.000 euros. Bastante, não? Pois é só doar 1% do salário para causas beneficentes.

juan mata mundial

O que é a Common Goal?

Nascida em 2017, essa iniciativa impulsionada por aquele que foi um dos 23 campeões do mundo na África do Sul em 2010 com a Seleção espanhola já reúne centenas de jogadores de futebol profissionais, tanto homens quanto mulheres, assim como várias das instituições mais poderosas do cenário esportivo. Focada principalmente na ajuda às crianças, a Common Goal é aquele projeto que demonstra que o futebol, como esporte rei que é, deve ser o exemplo a ser seguido por muitas outras modalidades para fazer do planeta um lugar melhor.

“Em relação à sociedade, meu salário é um absurdo, algo irreal. É preciso ter consciência da posição em que estamos e ajudar com aquilo que pode significar pouco para nós, mas muito para outras pessoas”, apontava em uma entrevista o atleta de Burgos, para deixar claros quais são seus princípios solidários. Dessa forma, por meio da Common Goal, todos os seus associados se comprometem a doar 1% do salário para as mais de 125 associações solidárias que colaboram com a ideia.

Um simples detalhe que, no caso de um atleta de alto nível, pode representar uma ajuda tremenda. É o caso dos diferentes projetos que a organização realizou em mais de 80 países com crianças em situação de risco ou, durante a crise do coronavírus, levando vacinas àqueles cantos que não tinham acesso a elas.

E você, doaria 1% do seu salário?

Dessa forma, esse projeto é um dos muitos que servem para demonstrar que o esporte pode melhorar a situação de muitas pessoas. Não só daquelas que o praticam, seja no aspecto físico ou mental, mas também por meio dessas ajudas para obter condições de vida mais dignas e saudáveis.

Mas, não contente com isso, o sucesso da Common Goal serviu para abrir suas fronteiras para além do futebol. Assim, qualquer pessoa que desejar pode colaborar com a organização doando 1% do seu salário, como fazem cerca de 200 dos melhores jogadores de futebol e técnicos do mundo todo.

Logicamente com muito menos dinheiro envolvido, pois esse 1% está distante do que pode aportar uma pessoa acostumada a assinar contratos milionários; no entanto, toda ajuda é bem-vinda para continuar fazendo do planeta um lugar melhor e mais justo com todos.

Hit4Change ou como dar golpes em um saco pode servir de ajuda

Na mesma linha está o projeto Hit4Change, apoiado pela rede de academias espanhola Brooklyn Fitboxing. Por meio dessa instituição, a empresa se compromete a cada 15 dias a doar cerca de 12.000 dólares (perto de 1% do seu faturamento) para causas solidárias como a ajuda a crianças, o acesso a uma saúde universal, o reflorestamento e a proteção dos oceanos.

fitboxer

Uma iniciativa que está por trás do fitboxing, esporte em ascensão em toda a Europa, e pela qual cada pessoa que treina nessas academias decide para qual causa distribui seus golpes no saco. Dessa forma, ao final desses 15 dias, a Hit4Change doa o valor acumulado proporcionalmente, de acordo com o apoio, entre as ONGs associadas a essas quatro causas.

Atualmente com organizações aliadas da Espanha, Itália, Portugal e Argentina, em um futuro de curto prazo a Hit4Change já pensa em ter também colaborações com ONGs da Alemanha e da França para continuar levando ajuda a todos os cantos do planeta.

Dois exemplos de como um pequeno 1% pode representar muito e de como o esporte pode se envolver totalmente nessas ajudas solidárias. Porque, além de mudar a vida daqueles que praticam qualquer tipo de atividade física, o futebol ou o fitboxing, nesses casos, também demonstraram que podem melhorar as condições de saúde de crianças e pessoas vulneráveis ou proteger a fauna e a flora do planeta.

E agora, sabendo de tudo isso, custaria menos a você doar aquele petisco que vai tomar no bar em frente com seus amigos? Por mais que pareça pouco, um simples 1% pode mudar muitas coisas.

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